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17 abril 2026

Enquanto a vida passa e nós não a vemos...

 Mais uma vez a questionar sobre a pressa...

Há tantos ditos populares que encaixam tão bem nesta altura:

O "a pressa é inimiga da perfeição"...confesso ter tido sempre uma certa antipatia por esta, já que também já fui uma "contaminada" pela pressa, mas também fui uma terrível perfeccionista 🤦🏻‍♀️. Mas a maturidade chega para todos, ou o cansaço, ou o burnout, ou o divórcio, os filhos carentes, as sessões com psicólogos, a conta na farmácia...e nos mostra, dolorosamente na maioria das vezes, que mais vale algo feito com dedicação para agregar valor real, mesmo que exija mais tempo, do que algo feito às pressas apenas para cumprir tarefa, mas que não deixa marcas, não gera crescimento nem aprendizagem para ninguém, não planta sementes....não dá frutos! 

Buscamos tanto por bens materiais, damos valor demais a coisas que apenas deviam ter preço.

Valor, na minha opinião, é algo duradouro ou que nos oferece algo duradouro. O valor de algo está diretamente atribuído àquilo que ele nos pode agregar também. E nisto, muitas coisas que são imateriais têm muito mais valor para nós como pessoa humana! 

O que nos faz crescer não é a idade que temos, a altura que alcançamos como humanos...

O que nos faz crescer não é a quantidade de bens imóveis que temos, nem o sucesso financeiro que alcançamos em sociedade...

O que realmente nos faz crescer são as experiências que vivemos - são elas que nos trazem novos olhares sobre a vida, ampliam nossa capacidade de reflexão ao trazerem novas perspetivas e revelarem outros modos de ser e estar na vida, que nós jamais conheceríamos se não as vivesse.

O que nos faz crescer é viver! 

Mas viver a vida profundamente!

É experimentar! 

E não experimenta-se a viver por regras inflexíveis, a andar sempre pelo mesmo caminho, a ir sempre aos mesmos lugares, a ouvir sempre as mesmas opiniões, a fazer tudo sempre da mesma maneira!

Não precisamos dar a volta ao mundo para viver novas experiências. Precisamos sim é, de repensar nosso atual modus operandi, e termos a coragem e sobretudo a vontade de mudar!

Não precisa dar a volta ao mundo (era bom...). Muitas reflexões e muita coragem podem vir depois de uma fuga no meio do expediente para uma pausa silenciosa do lado de fora...sem ecrãs, sem tabaco, sem amigos...apenas tu, o horizonte e os teus pensamentos! 

Por que esperar o fim para buscar um recomeço? Por que esperar chegar a dor para valorizarmos o bem-estar?

Talvez a perfeição chegue quando a pressa der lugar à reflexão! 


Esta música do Lenine é o encerramento perfeito para este post:


Boas reflexões! 😉

27 março 2026

Quando o mau é o normal

 

No fim, é isso que eu vejo: uma sociedade — um mundo — estranhamente bem ajustado ao caos.

Parece que as pessoas só enxergam isso. Só vivem isso. E, mais do que isso, passaram a acreditar que apenas isso é válido. Como se a vida tivesse obrigatoriamente de ser dura. Como se, sem dificuldade, não houvesse mérito. Como se tudo tivesse de vir através do sacrifício para ter valor.

Mas… será mesmo esse o ideal?

Vivemos como se estivéssemos constantemente a lutar para sobreviver. E justificamos isso com o caos — com a dificuldade das circunstâncias, com a exigência do mundo. Mas talvez exista outra camada aqui. Talvez, estejamos a tornar tudo mais difícil para alimentar o nosso próprio ego — esse que precisa da dificuldade para se sentir merecedor, vitorioso, superior.



E, nesse processo, julgamos os outros. Dizemos que “não fazem nada”. Mas quem somos nós para medir o esforço de alguém? Ninguém vive a vida do outro. Ninguém calça os seus sapatos para saber onde apertam.

Ainda assim, continuamos todos a correr. A acumular. A produzir. A adiar o descanso para um futuro desconhecido.

Mas será que esse dia vai chegar?

Ou vamos passar a vida inteira a construir algo que nunca teremos tempo de usufruir?

É assim que vejo o mundo lá fora: um caos inquestionável e silenciosamente aceite. E o mais inquietante não é o caos em si — é a forma como as pessoas se adaptaram a ele, como se fosse inevitável, como se não houvesse alternativa, como se fosse NATURAL!

E aqueles que ousam questionar esse modelo… são frequentemente desvalorizados. Rotulados como preguiçosos, improdutivos, irrelevantes. Mas talvez sejam exatamente esses que estão a tentar alertar para o rumo em que estamos a caminhar...

Porque as pessoas estão a adoecer — e muitas nem percebem. E, sem perceber, acabam por arrastar outras para o mesmo estado caótico e insalubre...triste e cinzento. O caos espalha-se. Cresce. Torna-se coletivo.

E, no meio disto tudo, continuamos a correr — atrás de coisas, de conquistas, de uma ideia de felicidade que parece sempre estar mais à frente ou que simplesmente não existe! Pelo menos não da forma que pensamos ser.



Mas, talvez seja mais simples do que isso.

Talvez baste abrir a janela.

Olhar para o céu.

E perguntar: como é que eu via este céu quando era criança?

Mudar a lente. Só isso.

Porque o mundo, no fundo, não mudou assim tanto. Nós é que mudámos. Perdemos a forma simples de ver, de sentir, de estar. Trocamos o devaneio por armaduras!

E o mais curioso é que essa capacidade ainda existe em nós. Mas não a usamos. Porque, de alguma forma, ficámos demasiado bem adaptados à loucura.

À loucura que nos dizem ser o normal.

Mas será que uma vida que adoece as pessoas — sobretudo mentalmente — pode realmente ser considerada normal? Pode ser ao menos, considerada "vida"? Chamaria a isto "sobreviver" e não "viver"!

Vivemos com medo de parar. Como se parar fosse perder tempo. Como se observar fosse sinónimo de inutilidade. Como se só tivesse valor quem está constantemente a fazer.

Mas… e se todos estão a fazer o mesmo, e o resultado é doença, exaustão e vazio, qual é o sentido em continuar a correr para isto?

Talvez o problema não esteja em parar, e sim esteja neste caminho que escolhemos não questionar.

E se — sem utopias — começássemos a simplificar?

Se escolhéssemos ouvir as pessoas, observar mais antes de agir?

Normalizar a contemplação e as pausas...o silêncio e o descanso?

Se, pouco a pouco, voltássemos ao essencial?

E se isso deixasse de ser exceção… e passasse a ser norma? Qual caminho escolheriam percorrer?


Como já cantava Balu: "Necessário, somente o necessário! O extraordinário é demais! 





18 novembro 2025

O peso de 777 vidas...

Eu era uma árvore… nova, frondosa, só pedia o básico: ser regada para sobreviver.

Hoje, as folhas novas envelheceram… caíram todas.

Hoje, sou apenas um velho tronco. Só peço descanso.

Ainda pensam que posso oferecer algo…
Mas não há sombra, nem fruto, nem espaço para quem se abriga sob mim.

Hoje, só quero paz.
Nada mais. Apenas paz.


Edit: Texto visceral de uma noite de ShutDown...